quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Avaliações... Sempre!

No âmbito escolar, acadêmico,  sempre se está às voltas com uma ou outra avaliação.  Faz parte do rito educacional. Nem por isso, a avaliação está isenta de críticas.  Para que avaliar? E por que avaliar dessa forma tradicional?  E será que a avaliação avalia mesmo? E avalia o quê?
O argumento ou os questionamentos procedem. Não obstante,  não se pode perder de vista que a própria vida é como que uma constante avaliação. E a pessoa é submetida, constantemente, a todo tipo de teste: para consevuir um emprego, ingressar em algum grupo, até mesmo para constituir uma família. Richard Dawkins já se referira a essa competição vital em seu famoso livro O gene egoísta. Somos, cada um de nós,  o resultado de uma feroz competição extra e intrauterina. Depois de nascidos, por que haveria de ser diferente?
O problema é que o meio escolar nem sempre deixa claros os critérios e alcances de uma avaliação,  até porque algumas avaliações se constituem apenas em ferramentas de terror ou vingança docente. Quando a avaliação está desconectada de uma visão pedagógica mais ampla, de fato, as avaliações perdem toda a sua função de medição de resuktados e indicadora denrumos a serem adotados. Já é passada a hora de se avaliar a avaliação.

domingo, 31 de maio de 2015

As lições que o futebol dá no (e leva do) país do futebol

Parece que não nos cansamos com a erupção de escândalos. Inclusive, naquele que seria o maior orgulho nacional: seu futebol. Após a campanha pífia e a derrota acachapante para a Alemanha na Copa de 2014, continuam as revelações vergonhosas. A questão da Copa é um símbolo: perder, tudo bem. Perder um campeonato em casa, já é um pouco mais complicado de se aceitar. Perder em casa, de goleada, já é quase impossível de digerir. E ainda perder a disputa do terceiro lugar...
Mas, se os jogadores não saíram nem um pouco chamuscado por todo esse conjunto de tragédias, parece que também não houve um abalo sísmico na relação dos brasileiros e seus times de futebol. Que importam os estádios milionários e bilionários? Que importa quem paga a conta?

Agora, vem o escândalo envolvendo altos dirigentes da FIFA – e, quem sabe, da CBF? Isso vai fazer o brasileiro perceber que nem seu “santo” futebol é digno de confiança? Vai levá-los a entender que seu sofrimento nas horas avançadas das noites de quartas-feiras, nos estádios, nas conduções que os levam de volta a suas casas... Que tudo isso não significa nada para muitos daqueles que estão entre as quatro linhas do gramado e, muito menos que nada para os cartolas? Escolas? Hospitais? Postos de saúde? Não!! Estádios! Que mais precisa ocorrer para o gigante acordar?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CONSUMIDÃO: A INCLUSÃO SOCIAL CONSUMISTA DO CIDADÃO

Em termos mercadológicos, os estudos de Marcelo Néri e, mesmo, do governo federal brasileiro sobre a "nova classe média" (a classe C) apontam para um cenário de melhoria na distribuição de renda ou, pelo menos, para uma mobilidade social que tem por base um crescimento de renda da população brasileira, sobretudo do segmento considerado classe C, o qual constitui, atualmente, em meados da segunda década deste século XXI, cerca de 60% da população nacional. Estudos recentes, como o da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), indicam que a "nova classe média" é composta por cerca de 108 milhões de pessoas que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e que movimentaram 58% do crédito no Brasil. Se a classe média brasileira formasse um país, seria o 12º do mundo em população e a 18ª nação em consumo, podendo pertencer ao G20. Os gastos com alimentação lideram o consumo da classe C, tendo movimentado R$ 223,3 bilhões no ano passado. Em seguida, vêm os gastos com saúde (R$ 71,8 bilhões) e vestuário (R$ 61,6 bilhões). As profissões mais típicas da classe C são as relacionadas a serviços de beleza, caixas de supermercados e lojas, representantes comerciais e vendedores e atendentes. Por uma extensão de sua designação, a realização da classe C passaria por 3 Cs: casamento, casa e carro.

Não é raro que uma discussão política sobre a classe C assinale que parte significativa dessa classe entende sua cidadania a partir do consumo: ser cidadão é ter a dignidade de poder comprar aquilo que deseja, mesmo que as reivindicações no mercado se devam mais pela valorização do preço justo e da qualidade correspondente ao que foi pago do que por uma questão de direitos individuais, coletivos e sociais.

A perspectiva idílica, a utopia de uma sociedade feliz e harmônica baseada no consumo que preencheria o vazio existencial que, ironicamente, o próprio ciclo perpétuo do consumismo provoca, defronta-se com a possibilidade de instaurar uma "utopia negativa", uma "distopia".

É que o mercado, os produtos e o vazio existencial decorrente de um narcisismo hedonista e consumista (em que o indivíduo acredita e age como se fosse o centro do universo) podem conduzir a um cenário sombrio. Não pelo endividamento progressivo das pessoas, mas pela falta de perspectiva de satisfação dessas mesmas pessoas, convertidas de sujeitos em meros objetos entre objetos. Nesse cenário distópico – de uma "utopia negativa" ou "não utopia" – o cidadão seria reconhecido apenas como consumidor, com uma existência limitada à sua participação de mercado. Antes de cidadão, seria um "consumidão", na dupla acepção de alguém que se reconhece como cidadão apenas quando no papel de consumidor e de alguém que, ao consumir, é consumido pelas engrenagens sistêmicas mercadológicas. "Consumidão", o homo consumptor.

O "consumidão", o sujeito que pensa que é cidadão porque – e tão somente porque – consome, nem sempre se dá conta de que o consumo o consome. É o que aponta a pesquisa da FecomercioSP, segundo a qual metade das famílias paulistanas tem dívidas, sendo que 49% da população têm entre 11% e metade da renda mensal comprometida com dívidas, e 20% da população têm mais de metade da renda mensal comprometida com dívidas. Mais: nas favelas, 26% da população têm contas em atraso e 23% já se tornaram inadimplentes, além de que 44% diminuíram a quantidade de produtos adquiridos. Constata-se, ainda, que o segmento de baixa renda gasta 10% do salário com compras parceladas no cartão de crédito; no conjunto, 69% das pessoas endividadas tiveram no cartão de crédito o principal fator de endividamento. De modo geral, a renda da "nova classe média" muda todos os meses, pois é resultante de uma composição salarial familiar que inclui rendimentos não regulares.


 

Deve-se, todavia, entender que esse caminho não é um fado, uma sina, uma predestinação contra a qual não se pode erigir uma resistência, contra a qual não se podem construir alternativas. Igualmente não se deve esperar que um demiurgo ou agente messiânico traga a redenção de fora do próprio sistema: as possibilidades existem e podem ser construídas pelos mesmos agentes, sujeitos e profissionais que atuam na sociedade, que atuam no mercado. Uma atuação política!

Daí que o marketing redescobre que tem, sim, um importante papel social: tornar as pessoas mais felizes e realizadas pela compreensão e satisfação de suas necessidades e desejos, o que pode até passar por produtos, mas que não se resume a eles. É um desafio, mas cujo componente social e político – mais que o econômico – não pode ser descurado. Enfrentar esse desafio consiste em colocar as lentes que corrigem a miopia, permitindo enxergar com clareza o que é e para que serve o marketing, nos tempos atuais e para o amanhã. Enxergar que o marketing tem, a cada dia (como bem demonstram os períodos eleitorais e eleitoreiros), uma função política cada vez mais destacada.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

GOSTAMOS DE FAZER AQUILO QUE É VISTO E ELOGIADO

O título seria apenas uma afirmação barata, não fosse o fato de termos nos deparado com sua exibição dramática, quando da cerimônia de abertura da Copa 2014. Um dos momentos mais esperados, creio, por todos quantos sabem dos sacrifícios que envolvem estudos, pesquisas, testes... – o estudo, em si – seria o pontapé inicial da primeira partida de futebol da Copa, dado por uma pessoa paraplégica utilizando um exoesqueleto, resultado de mais de uma década de empenho do doutor Miguel Nicolellis e sua equipe. Não obstante isso, o que se viu – ou, melhor, o que não se viu – foi cerca de um segundo de demonstração, sem qualquer destaque, sem qualquer aviso, sem qualquer discussão maior. Os olhos e câmeras estavam voltados para o grande cenário da majestática festa – ironicamente, é claro.

Um feito da magnitude desse pontapé passa como algo sem qualquer valor.

Como as pessoas, sobretudo as crianças, que estão se desenvolvendo, buscam inspiração em pessoas socialmente significativas, fica a reflexão sobre o que parecerá mais meritório e digno de investimento ou dedicação: o sucesso vindo pelo esporte ou o sucesso vindo pela ciência?

Pela concessão de espaço e tempo midiático, parece que tal reflexão já foi decidida.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ainda se pode prescindir da tecnologia na educação escolar?

As grandes obras de engenharia são um troféu à capacidade criativa do ser humano. Mas as pequenas obras do dia a dia, como a íntima atividade de preparar uma refeição caseira, também se revestem de um valor inestimável porque representam a objetivação de uma ideia humana.
As salas de aula onde se forjam gênios das ciências, e tantos outros não tão geniais, mas certamente pessoas que se desenvolvem ainda mais como seres humanos devido à contribuição da educação formal, são o locus onde são intentados os primeiros passos das grandes invenções que impactarão a humanidade e determinarão seus rumos.
Em razão disso, coloca-se a questão impertinente: a educação, sobretudo a formal, escolar, acadêmica, pode prescindir da tecnologia?
Antes de se responder a essa questão é preciso um redimensionamento da compreensão ou da concepção de tecnologia. Como afirma Tapscot, a tecnologia só é entendida como tal por aqueles que vieram (nasceram) antes dela ser implementada. Para os que nasceram (vieram) depois da implementação de uma tecnologia, com a mesma já estando incorporada a suas vidas, seus esquemas mentais, não se coloca a questão da tecnologia em si e de seus impactos. É só comparar a estupefação (e dificuldade de manuseio) que grande parte das pessoas de mais de 40 anos (a Geração Babyboomer) têm em relação a telas touch e a completa naturalidade com que interagem com elas até mesmo as crianças de dois/três anos.
Então a questão não deve ser a do afastamento das "novas" tecnologias (sim, novas, porque os lápis também são uma tecnologia...) das salas de aula, mas, sim, a forma como essas "novas" tecnologias devem ser incorporadas à rotina escolar/acadêmica.