O título seria apenas uma afirmação barata, não fosse o fato de termos nos deparado com sua exibição dramática, quando da cerimônia de abertura da Copa 2014. Um dos momentos mais esperados, creio, por todos quantos sabem dos sacrifícios que envolvem estudos, pesquisas, testes... – o estudo, em si – seria o pontapé inicial da primeira partida de futebol da Copa, dado por uma pessoa paraplégica utilizando um exoesqueleto, resultado de mais de uma década de empenho do doutor Miguel Nicolellis e sua equipe. Não obstante isso, o que se viu – ou, melhor, o que não se viu – foi cerca de um segundo de demonstração, sem qualquer destaque, sem qualquer aviso, sem qualquer discussão maior. Os olhos e câmeras estavam voltados para o grande cenário da majestática festa – ironicamente, é claro.
Um feito da magnitude desse pontapé passa como algo sem qualquer valor.
Como as pessoas, sobretudo as crianças, que estão se desenvolvendo, buscam inspiração em pessoas socialmente significativas, fica a reflexão sobre o que parecerá mais meritório e digno de investimento ou dedicação: o sucesso vindo pelo esporte ou o sucesso vindo pela ciência?
Pela concessão de espaço e tempo midiático, parece que tal reflexão já foi decidida.
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