quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ainda se pode prescindir da tecnologia na educação escolar?

As grandes obras de engenharia são um troféu à capacidade criativa do ser humano. Mas as pequenas obras do dia a dia, como a íntima atividade de preparar uma refeição caseira, também se revestem de um valor inestimável porque representam a objetivação de uma ideia humana.
As salas de aula onde se forjam gênios das ciências, e tantos outros não tão geniais, mas certamente pessoas que se desenvolvem ainda mais como seres humanos devido à contribuição da educação formal, são o locus onde são intentados os primeiros passos das grandes invenções que impactarão a humanidade e determinarão seus rumos.
Em razão disso, coloca-se a questão impertinente: a educação, sobretudo a formal, escolar, acadêmica, pode prescindir da tecnologia?
Antes de se responder a essa questão é preciso um redimensionamento da compreensão ou da concepção de tecnologia. Como afirma Tapscot, a tecnologia só é entendida como tal por aqueles que vieram (nasceram) antes dela ser implementada. Para os que nasceram (vieram) depois da implementação de uma tecnologia, com a mesma já estando incorporada a suas vidas, seus esquemas mentais, não se coloca a questão da tecnologia em si e de seus impactos. É só comparar a estupefação (e dificuldade de manuseio) que grande parte das pessoas de mais de 40 anos (a Geração Babyboomer) têm em relação a telas touch e a completa naturalidade com que interagem com elas até mesmo as crianças de dois/três anos.
Então a questão não deve ser a do afastamento das "novas" tecnologias (sim, novas, porque os lápis também são uma tecnologia...) das salas de aula, mas, sim, a forma como essas "novas" tecnologias devem ser incorporadas à rotina escolar/acadêmica.